Pergunta rápida: você sabe agora, neste exato momento, se a rede da sua empresa está funcionando bem?
Se a resposta é “acho que sim, ninguém reclamou ainda”, você está voando às cegas. E isso é mais comum (e perigoso) do que parece.
Segundo pesquisa da Gartner, 78% das empresas descobrem problemas de infraestrutura apenas quando usuários começam a reclamar. Nesse ponto, o problema já está causando impacto nos negócios: vendas não concluídas, reuniões com lag, produtividade comprometida.
A boa notícia é que problemas de rede raramente aparecem “do nada”. Eles dão sinais. O desafio é medir as coisas certas.
Neste artigo, vou revelar as 5 métricas de rede que toda empresa deveria monitorar continuamente — e como cada uma pode salvar seu negócio de prejuízos desnecessários.
Por Que Monitorar a Rede Não É Opcional em 2026
Antes de entrarmos nas métricas, vamos contextualizar: sua rede é o sistema circulatório da empresa. Tudo depende dela:
- Vendas: CRM, e-commerce, PDV cloud
- Operações: ERP, sistemas de gestão
- Comunicação: Email, Teams, VoIP, videoconferência
- Colaboração: Arquivos compartilhados, intranet
- Segurança: Firewalls, backups, antivírus
Quando a rede vai mal, TUDO vai mal. Mas aqui está o problema: degradação de performance geralmente é silenciosa.
Exemplo real: Uma empresa de logística que atendemos tinha lentidão “aceitável” no sistema. Ninguém reclamava muito. Quando implementamos monitoramento, descobrimos que o link de internet estava saturado 60% do tempo útil. Resultado? Cada operação demorava 30-40% mais do que deveria. Multiplicado por dezenas de funcionários, isso representava 10 horas de produtividade perdidas POR DIA.
Solução? Upgrade de link (investimento de R$ 300/mês a mais). Ganho em produtividade? Incomensurável. Payback? Imediato.
Monitorar não é paranoia. É gestão responsável.
Métrica #1: Latência e Jitter (A Métrica da Experiência do Usuário)
O que é?
Latência: Tempo que um pacote de dados leva para ir de A para B (medido em milissegundos) Jitter: Variação na latência (estabilidade da conexão)
Por que importa?
Se você usa (e provavelmente usa):
- Videoconferências (Zoom, Teams, Google Meet)
- VoIP (telefonia IP)
- Cloud apps (Salesforce, SAP, Google Workspace)
- Acesso remoto (VPN, RDP, TeamViewer)
…então latência e jitter impactam DIRETAMENTE a qualidade da experiência.
Sintomas de problema:
- Vídeo travando em reuniões importantes
- Voz cortada ou com delay em ligações VoIP
- Aplicações cloud “travando” ou demorando demais para responder
- Frustração geral dos usuários
Valores de referência:
| Aplicação | Latência Ideal | Latência Aceitável | Jitter Máximo |
|---|---|---|---|
| VoIP / Videoconferência | < 50ms | < 150ms | < 30ms |
| Aplicações cloud críticas | < 100ms | < 200ms | < 50ms |
| Navegação web | < 100ms | < 300ms | N/A |
| ERP / Aplicações corporativas | < 75ms | < 150ms | < 40ms |
Como medir no PRTG:
Sensor: Ping
├── Target: Gateway, Servidores críticos, DNS público (8.8.8.8)
├── Intervalo: 60 segundos
└── Alertas:
├── Warning: Latência > 100ms por 5 min
└── Down: Latência > 200ms por 2 min
Ação quando detectar problema:
Latência alta consistente:
- Problema de link (ISP)
- Roteamento ineficiente
- Equipamento saturado
Jitter alto:
- Congestionamento de rede
- Interferência wireless
- QoS mal configurado
Solução:
- Verificar saturação de banda
- Implementar QoS (priorizar VoIP e videoconferência)
- Avaliar upgrade de link ou mudança de ISP
Saiba mais sobre monitoramento proativo com PRTG →
Métrica #2: Utilização de Banda (O Termômetro da Capacidade)
O que é?
Percentual da banda disponível que está sendo utilizada em um determinado momento. Medido em Mbps (megabits por segundo) ou Gbps.
Por que importa?
Imagine que você tem um link de internet de 100 Mbps. Parece suficiente, certo? Depende.
Se às 9h da manhã (quando todos conectam simultaneamente) seu link está operando a 95 Mbps, você está no limite. Qualquer pico adicional (uma videochamada, um download) causa:
- Lentidão generalizada
- Timeouts de aplicações
- Qualidade ruim em VoIP/vídeo
- Usuários frustrados
O problema: Você pode estar perdendo produtividade há meses e nem saber.
Valores de referência:
| Utilização Média | Status | Ação |
|---|---|---|
| < 50% | Excelente | Nenhuma |
| 50-70% | Bom | Monitorar tendência de crescimento |
| 70-85% | Atenção | Planejar upgrade em 3-6 meses |
| 85-95% | Crítico | Upgrade urgente |
| > 95% | Saturado | Perda de performance garantida |
Como medir no PRTG:
Sensor: Traffic (SNMP, NetFlow ou Packet Sniffing)
├── Interface: WAN (link de internet), Core Switch
├── Intervalo: 60 segundos
└── Alertas:
├── Warning: > 70% por 10 minutos
└── Down: > 90% por 5 minutos
Informações extras que você deve capturar:
Top Talkers (maiores consumidores de banda):
- Quais dispositivos/usuários estão consumindo mais?
- Quais aplicações? (YouTube, downloads, backups)
- Há downloads não autorizados?
Padrões de uso:
- Horário de pico (geralmente 9h-10h e 14h-15h)
- Dias da semana com mais uso
- Crescimento mês a mês
Ação quando detectar problema:
Saturação durante horário de pico:
- Identificar top talkers
- Implementar QoS para priorizar tráfego crítico
- Bloquear aplicações não essenciais (streaming pessoal, torrents)
- Avaliar upgrade de link
Crescimento sustentado:
- Se banda cresce 5-10% ao mês, você terá problema em 4-6 meses
- Planeje upgrade preventivo
Exemplo real: Cliente nosso tinha link de 200 Mbps. Monitoramento mostrou utilização média de 65%, com picos de 92% às 9h. Identificamos que backups rodavam durante horário comercial (erro de configuração). Simples mudança de horário resolveu. Custo: zero. Benefício: enorme.
Métrica #3: Packet Loss (A Métrica Silenciosa que Destrói Performance)
O que é?
Percentual de pacotes de dados que são enviados mas nunca chegam ao destino (ou vice-versa). Medido em porcentagem.
Por que importa?
Packet loss é traiçoeiro. Você pode ter 1% de perda de pacotes e achar que é “quase nada”. Mas 1% significa:
- VoIP: Cortes de áudio frequentes
- Videoconferência: Imagem pixelada ou travada
- Transferência de arquivos: Retransmissões constantes (tudo demora mais)
- Aplicações cloud: Timeouts e erros
Pior ainda: Packet loss geralmente indica problema estrutural que vai piorar.
Valores de referência:
| Packet Loss | Status | Impacto |
|---|---|---|
| 0-0.5% | Excelente | Imperceptível |
| 0.5-1% | Aceitável | Pequenos problemas em VoIP/vídeo |
| 1-2.5% | Ruim | Qualidade comprometida |
| > 2.5% | Crítico | Praticamente inutilizável |
Causas comuns:
Problema de infraestrutura física:
- Cabos danificados
- Conectores mal crimpados
- Interferência eletromagnética
Congestionamento:
- Equipamento saturado
- Buffer overflow em switches/roteadores
Problema de ISP:
- Roteamento ruim
- Equipamento do provedor com problema
Wireless:
- Interferência
- Sinal fraco
- Canal saturado
Como medir no PRTG:
Sensor: Ping com packet loss monitoring
├── Target: Gateway, Servidores, DNS externo
├── Número de pings: 100 (para estatística confiável)
├── Intervalo: 5 minutos
└── Alertas:
├── Warning: > 1% packet loss
└── Down: > 3% packet loss
Ação quando detectar problema:
Packet loss baixo mas consistente (0.5-2%):
- Verificar cabos e conectores
- Testar diferentes caminhos de rede
- Verificar logs de switches/roteadores
Packet loss alto ou intermitente (>2%):
- Problema sério, ação imediata
- Testar até o gateway (problema interno) vs até internet (problema ISP)
- Abrir chamado com ISP com evidências
Packet loss em wireless:
- Fazer site survey (identificar interferências)
- Trocar canal do AP
- Considerar upgrade de equipamento
Importante: Packet loss de 0% não existe por longos períodos. Flutuações ocasionais de 0.1-0.3% são normais. O problema é quando é consistente.
Métrica #4: Uptime de Serviços Críticos (A Métrica de Disponibilidade)
O que é?
Percentual de tempo que um serviço está disponível e funcionando corretamente. Geralmente medido em “noves”:
- 99% = 3,65 dias de downtime por ano
- 99.9% = 8,76 horas por ano
- 99.99% = 52,56 minutos por ano
Por que importa?
Sua rede pode estar perfeita, mas se o servidor de e-mail está fora, as pessoas não trabalham. Se o ERP está lento, a operação trava.
Uptime é a métrica que mais importa para o negócio.
O que monitorar:
Infraestrutura física:
- Servidores (Windows, Linux)
- Storages e NAS
- Firewalls
- Switches core
- Links de internet (principal e backup)
Serviços e aplicações:
- Active Directory (autenticação)
- DNS interno
- DHCP
- Servidor de arquivos
- Exchange / Email
- ERP / CRM
- Banco de dados (SQL Server, MySQL, PostgreSQL)
- Aplicações web internas
- Serviços cloud (Microsoft 365, AWS, etc.)
Como medir no PRTG:
Sensor: HTTP/HTTPS, Ping, Windows Services
├── ERP: HTTP sensor na URL da aplicação
├── Email: SMTP sensor (porta 25/587)
├── Banco de dados: SQL sensor (query de teste)
├── Active Directory: Windows Computer Sensor
├── Intervalo: 60 segundos
└── Alertas:
└── Down: Serviço não responde por 2 minutos
Relatórios de SLA:
Configure relatórios automáticos mensais de uptime:
PRTG → Reports → Add Report
Template: "Uptime SLA Report"
Período: Último mês
Incluir:
├── Todos os servidores críticos
├── Serviços críticos
└── Links de internet
Enviar para: gerencia@empresa.com.br
Frequência: 1º dia útil de cada mês
Exemplo de relatório:
| Serviço | Uptime % | Downtime Total | SLA (meta) | Status |
|---|---|---|---|---|
| Servidor ERP | 99.95% | 22 minutos | 99.9% | ✅ OK |
| 99.87% | 56 minutos | 99.9% | ⚠️ Abaixo | |
| Link Internet | 100% | 0 minutos | 99.5% | ✅ OK |
Ação quando detectar problema:
Downtime planejado: Sempre pausar monitoramento durante manutenções
Downtime não planejado:
- Investigar causa raiz
- Documentar incidente
- Implementar correção
- Criar ação preventiva
SLA não atingido repetidamente:
- Problema estrutural que precisa ser resolvido
- Pode exigir redundância, upgrade de equipamento, ou mudança de fornecedor
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Métrica #5: Temperatura de Equipamentos (A Métrica que Previne Falhas Catastróficas)
O que é?
Temperatura interna de servidores, switches, roteadores, storages e outros equipamentos de rede. Medido em graus Celsius.
Por que importa?
Equipamentos de TI são sensíveis a calor. Temperatura elevada causa:
- Curto prazo: Throttling (equipamento reduz performance para não queimar)
- Médio prazo: Travamentos e reinicializações inesperadas
- Longo prazo: Redução drástica da vida útil dos componentes
- Pior cenário: Falha catastrófica (HD queimado, CPU danificado)
Exemplo real: Cliente perdeu servidor com 18 meses de uso (garantia de 3 anos). Causa? Temperatura interna de 70°C constante (ar-condicionado da sala insuficiente). O servidor “segurou” até não aguentar mais. Perda total de dados (backup não estava atualizado). Prejuízo: R$ 120 mil.
Isso era 100% evitável com monitoramento de temperatura.
Valores de referência:
Servidores e storage:
- Ideal: 18-24°C ambiente, componentes internos 40-50°C
- Aceitável: até 27°C ambiente, componentes 50-60°C
- Atenção: 28-32°C ambiente, componentes 60-70°C
- Crítico: > 32°C ambiente, > 70°C componentes
Switches e equipamentos de rede:
- Ideal: componentes internos < 50°C
- Aceitável: 50-60°C
- Crítico: > 65°C
Como medir no PRTG:
Sensor: SNMP Temperature (para switches/roteadores)
Sensor: WMI Temperature (para servidores Windows)
Sensor: SSH Temperature (para servidores Linux)
├── Intervalo: 5 minutos
└── Alertas:
├── Warning: > 60°C por 10 minutos
└── Down: > 70°C por 5 minutos
Sensor: Room Temperature (sensor ambiental opcional)
└── Alerta: > 27°C na sala de servidores
Fatores que aumentam temperatura:
Ambiente:
- Ar-condicionado insuficiente ou quebrado
- Sala de servidores sem ventilação adequada
- Exposição a sol direto
- Densidade alta de equipamentos
Equipamento:
- Ventiladores com defeito
- Acúmulo de poeira (bloqueio de fluxo de ar)
- Overclock ou sobrecarga
- Hardware defeituoso
Ação quando detectar problema:
Temperatura ambiente alta:
- Verificar ar-condicionado
- Melhorar ventilação
- Redistribuir equipamentos
Temperatura de equipamento específico alta:
- Verificar ventiladores (funcionando?)
- Limpeza (poeira acumulada?)
- Verificar carga (processamento anormal?)
- Considerar substituição preventiva
Temperatura crítica:
- Ação imediata: desligar equipamento se > 80°C
- Investigar causa antes de religar
- Nunca ignorar alertas de temperatura crítica
Bônus: Como o PRTG Monitora Todas Essas Métricas (e Muito Mais)
Se você está pensando “ufa, muita coisa para monitorar”, tenho uma boa notícia: ferramentas profissionais como o PRTG fazem tudo isso automaticamente.
Com o PRTG você:
✅ Monitora tudo em um único dashboard:
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✅ Recebe alertas inteligentes:
- Email, SMS, Teams, Slack
- Sem falsos positivos (dependências configuradas)
✅ Visualiza histórico:
- Gráficos de 30 dias, 6 meses, 1 ano
- Identifica tendências e problemas recorrentes
✅ Gera relatórios automáticos:
- SLA reports mensais
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Conclusão: Monitoramento É Prevenção, Prevenção É Economia
Volto à pergunta inicial: você sabe, agora, se a rede da sua empresa está funcionando bem?
Se ainda não sabe, está na hora de mudar isso.
Monitorar essas 5 métricas (latência, banda, packet loss, uptime, temperatura) não é paranoia de administrador de redes. É gestão responsável de um ativo crítico do negócio.
Os benefícios são imensuráveis:
- Prevenir downtimes caros
- Manter produtividade alta
- Planejar investimentos com dados
- Dormir tranquilo sabendo que alguém/algo está vigiando 24/7
E o melhor: com ferramentas modernas, implementar monitoramento profissional é mais fácil e acessível do que nunca.
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